O metaverso, um conceito que unifica realidade virtual, aumentada e mundos virtuais em uma experiência contínua e imersiva, está ganhando tração globalmente, e a China se destaca como um dos principais polos de inovação nesse campo. Longe de ser apenas uma novidade do setor de games, o metaverso na China está sendo impulsionado por gigantes da tecnologia, startups e, surpreendentemente, pelo próprio governo, que o vê como um motor para o crescimento econômico e desenvolvimento tecnológico.
Diferentemente de outros países, onde o desenvolvimento do metaverso é majoritariamente liderado por empresas privadas, a China adota uma abordagem mais coordenada. O governo chinês tem emitido políticas e diretrizes para apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias de ponta, como inteligência artificial, realidade virtual (RV), realidade aumentada (RA) e 5G, todos pilares essenciais para a construção de um metaverso robusto. A cidade de Xangai, por exemplo, anunciou um plano de cinco anos para impulsionar a indústria de RV e metaverso, com o objetivo de criar um ecossistema industrial de 350 bilhões de yuans (cerca de R$ 250 bilhões).
Gigantes chineses como Tencent e Alibaba estão investindo pesadamente em infraestrutura e aplicativos para o metaverso. A Tencent, por exemplo, adquiriu a Sumo Group, uma desenvolvedora de jogos britânica, e investiu em empresas de realidade virtual. A empresa também possui a popular plataforma de mensagens WeChat, que pode servir como uma porta de entrada para experiências imersivas, integrando e-commerce, entretenimento e serviços sociais em um único ambiente virtual.
Além das grandes corporações, a China tem uma vibrante cena de startups que estão inovando em áreas como avatares, hardware de RV acessível e plataformas de interação social no metaverso. A PICO, uma empresa chinesa de headsets de RV adquirida pela ByteDance (dona do TikTok), é um forte concorrente global no mercado de hardware, desafiando a hegemonia de empresas ocidentais. Essa competição interna e a busca por inovação impulsionam o rápido avanço do setor.
Enquanto o cenário internacional observa a China de perto, o país membro dos BRICS e parceiro estratégico, a Índia, também começa a trilhar seu próprio caminho no metaverso. Empresas indianas, como a BharatVerse e a Metanautix, estão explorando o potencial do metaverso para criar experiências culturais e educacionais, mostrando que o interesse e o desenvolvimento dessa tecnologia não se limitam a uma única região, mas sim a um movimento global com diversas abordagens e focos.
A expansão do metaverso na China não é apenas uma questão de tecnologia, mas também de como a sociedade interage com o mundo digital. Com a digitalização de serviços e o uso massivo de plataformas online, a transição para um metaverso funcional parece um passo natural para a nação. A forma como a China equilibra inovação e regulamentação nesse novo espaço virtual definirá não apenas seu futuro digital, mas também servirá de modelo (ou de alerta) para o resto do mundo.

