Entenda a estratégia “Made in China 2025” e a busca pela autossuficiência

A estratégia “Made in China 2025” (MIC 2025) não é apenas um plano industrial; é uma declaração de intenções geopolíticas. Lançada em 2015 pelo Conselho de Estado chinês, essa iniciativa visa transformar o país de “fábrica do mundo” (produtora de bens de baixo custo) em uma potência de manufatura avançada e alta tecnologia até o ano de 2025. O foco principal não é apenas na melhoria da qualidade, mas na autossuficiência tecnológica, um objetivo que se tornou ainda mais crucial diante das tensões comerciais e das restrições de acesso a tecnologias ocidentais, especialmente semicondutores.

O Coração do Plano: As Indústrias-Alvo

O plano MIC 2025 foca em dez setores estratégicos de alta tecnologia, considerados vitais para a economia futura e para a soberania nacional. Entre eles, destacam-se:

  • Tecnologia da Informação de Próxima Geração: Incluindo Inteligência Artificial (IA), 6G e computação quântica.
  • Ferramentas de Máquina de Controle Numérico de Ponta e Robótica: Essenciais para a automação industrial.
  • Equipamento Aeroespacial: Visando o desenvolvimento de aeronaves e satélites próprios.
  • Novos Veículos de Energia (NEVs): Como carros elétricos e híbridos, onde a China já é líder global de produção.
  • Biotecnologia e Equipamentos Médicos de Alta Performance: Para modernizar o setor de saúde.

O objetivo é atingir uma taxa de nacionalização de componentes principais e materiais básicos de 40% até 2020 e 70% até 2025.

Impacto Global e Geopolítica da Tecnologia

A estratégia MIC 2025 teve um impacto imediato na geopolítica. Países como os Estados Unidos veem o plano como uma ameaça à sua liderança tecnológica e uma forma de concorrência desleal, alegando subsídios estatais massivos e práticas questionáveis de transferência de tecnologia. Essas tensões resultaram em sanções, como as impostas à Huawei e a fabricantes de chips como a SMIC, visando retardar o avanço chinês em áreas críticas.

No entanto, para os países do BRICS e outras economias emergentes, a ambição chinesa ressalta a importância da soberania tecnológica. A busca pela autossuficiência da China inspira o fortalecimento das cadeias de valor locais. O Brasil, por exemplo, embora não tenha um plano de escala similar, investe em setores como a biotecnologia e a tecnologia agrícola, buscando sua própria independência em insumos e know-how. A Índia, com o programa “Make in India”, segue uma rota parecida, incentivando a manufatura doméstica em eletrônicos e defesa.

Em essência, a MIC 2025 é a base da guerra tecnológica do século XXI. Ela dita a direção dos investimentos chineses e o foco da sua diplomacia econômica, assegurando que o futuro tecnológico do país seja escrito em seus próprios termos, independentemente das pressões externas.

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