A China continua a reescrever os limites da engenharia de energias renováveis. A fabricante chinesa Mingyang Smart Energy instalou e ativou a maior turbina eólica offshore de capacidade única do mundo, um gigante com impressionantes 20 Megawatts (MW) de potência. O marco consolida a posição da China como a líder global absoluta no desenvolvimento e implementação de tecnologia eólica marítima.
Essa turbina, que estabelece um novo recorde mundial, tem uma área de varredura de vento equivalente a até nove campos de futebol, com um diâmetro de rotor que pode variar entre 260 e 292 metros. A busca incessante por escala e eficiência é parte da estratégia chinesa para impulsionar a transição energética e cumprir suas ambiciosas metas de “duplo carbono” (pico de emissões em 2030 e neutralidade em 2060).
⚡️ A Corrida pela supercapacidade e resiliência
O modelo de 20 MW da Mingyang, embora em breve possa ser superado por projetos chineses de 22 MW ou até 26 MW (como os da Dongfang Electric), representa um avanço significativo em relação aos projetos ocidentais, que tipicamente se situam na faixa de 14 MW a 16 MW. O foco no gigantismo não é por acaso, mas uma resposta direta aos desafios da geração de energia offshore:
- Maximização da Eficiência: Turbinas maiores capturam ventos mais fortes e constantes no alto mar, maximizando a produção de energia por unidade instalada e reduzindo o Custo Nivelado de Eletricidade (LCOE).
- Soberania Tecnológica: Mais de 80% dos componentes das turbinas chinesas são provenientes de empresas domésticas. Isso garante autonomia industrial e protege a cadeia de suprimentos de tensões geopolíticas, ao contrário do que ocorre com setores como o de semicondutores.
- Resistência a Extremos: As turbinas gigantes são projetadas com resiliência para suportar condições climáticas severas, como tufões de nível 17, característica vital para a operação segura em regiões costeiras do sul da China.
🇧🇷 O eixo do BRICS na energia limpa
O ímpeto da China na energia eólica offshore é um catalisador para a agenda de transição energética do BRICS. O bloco, que conta com Brasil, Índia e África do Sul como líderes em capacidade eólica e solar, possui um enorme potencial inexplorado para a geração de energia no mar.
- Cooperação em P&D: O Grupo de Trabalho de Energia Renovável do BRICS (WG NREEE) tem debatido ativamente as tecnologias e as diretrizes para aumentar a competitividade da energia eólica offshore nos países membros. Instituições brasileiras como a UFRN têm participado, buscando viabilidade técnica e econômica para projetos nacionais.
- Potencial Brasileiro: O Brasil possui um potencial eólico offshore gigantesco, com mais de 58 GW em projetos já em fase de licenciamento. A experiência chinesa em desenvolvimento de superturbinas e em projetos de energia eólica flutuante pode ser um know-how valioso para acelerar o desenvolvimento de um mercado regulamentado no país, diversificando a matriz energética brasileira.
O domínio da China no setor offshore demonstra a capacidade do BRICS de liderar a produção de energia limpa, não apenas em volume, mas em inovação de ponta, transformando o panorama energético global.

